segunda-feira, 22 de março de 2010

O Outono e a Primavera

"Se me dá de observá-la, é pelo mais profundo abismo.

Das alturas distantes, pelo frio, meu olhar contigo.

Além do seio do Inverno, meu abrigo, nosso olhar...

Se dá! Como não admirar? Cândida, minh'aurora.



Sinto o mais profundo frio, pelo cerne, pelo abrigo.

Corto os ventos, furiosos ventos, do mais frio, mais gélido.

Canta minha canção? Sussuras? Encontrar-vos-á ardente...

Ardor? Pelo queimar da pele? Pela flor? O intenso êxtase!

Será, meu carinho, que ascendes?!



E no mais profundo, infundo, comigo:

"Se sou Outono, desejo-te, Primavera, para da minha força ter-se alegria. Procuro-te, Primavera, para com tuas suavidades ver sublime, ver sublime meus olhos, obscuros"

Confiante, em meu peito, sigo, ao frio, pelo frio...

... Para estar, além das alturas distantes, do frio, contigo".

O homem trágico

"O homem humilde venceu". Pobre amigo, come teu pão ázimo, bebe tua água rala. Eu, pior entre os piores, ardo no Inferno e contemplo o Céu.

sexta-feira, 19 de março de 2010

O curto fracasso brasileiro

O Brasil é um país no qual o liberalismo nunca vingou, no qual o sistema sempre foi deficitário e no qual as massas sempre foram rigorosamente controladas.

Falta ao Brasil um grande choque cultural, propício para uma inquietação suficiente ao desenvolvimento filosófico/cultural...


O sincretismo - inverso do ceticismo - é a maior prova disso. Incapazes de questionar, misturam tudo como uma só verdade.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Nietzsche em poucas palavras

Friedrich Nietszche utiliza o aforismo de Pîndaro como suporte essencial de sua filosofia.

Entre os homens de destaque (pois Nietszche é aristocrata e não fala ao povo, tão somente aos filósofos), em Nietszche, existiriam aqueles retraídos devido às correntes da religião, da fé, do comodismo, como Hegel, e também os adormecidos e autodestrutivos aprisionados ao niilismo (negação de tudo, e estagnação), como seu mestre Schopenhauer.

Em Nietszche a realidade não existe para um fim, ele nega a teleologia. O mundo seria o caos, ou seja, a falta de um sentido maior. Dionisíaco. E nele o homem construiria e efetuaria sua vontade, seus anseios, sua ordem. Apolíneo. Conquanto, a realidade existiria em si mesma, para si mesma, fazendo-se e refazendo-se; algo que o ultra-romântico alemão representava pelo símbolo alquímico Ouroboros (uma serpente engolindo a própria cauda)... O Eterno Retorno, ou, O Eterno Retorno do Mesmo, como definiu Heidegger.

Se a realidade seria então selvática, "uma serpente eternamente engolindo a si mesma", restaria então ao homem (e a todas as coisas), de seu absurdo, executar essa força, esse princípio ativo universal e infinito: A Vontade de Potência. "O querer ser", o "fazer-se existir".

O homem exercitaria sua vontade de potência através, em Nietszche, do heroísmo, ou seja, da superação constante de si mesmo, da elevação, do desenvolvimento tanto moral quanto intelectual. A base do homem seria o seu conhecimento real da natureza, seu alicerce, a Gaia Ciência.

Tornar-se quem és, superar a si mesmo ou fazer a si mesmo através de vontade ativa... Daí seu louvor aos grandes guerreiros, aos artistas, pessoas que fizeram e "modificaram seu mundo".

domingo, 17 de janeiro de 2010

TENTE OUTRA VEZ - Um mantra para si

Veja! Não diga que a canção está perdida; tenha em fé em Deus, tenha fé na vida. Tente outra vez!...

Beba! - Beba! - Pois a água viva ainda tá na fonte - Tente outra vez! - Você tem dois pés para cruzar a ponte... Nada acabou! Não, Não, Não,...

Oh Oh Oh Oh,Tente! Levante sua mão sedenta e recomece a andar, não pense que a cabeça agüenta se você parar; Não! Não! Não! Há uma voz que canta, uma voz que dança, uma voz que gira - Gira! - Bailando no ar!

Uh! Uh! Uh!...

Queira! - Queira! - Basta ser sincero e desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo. Vai! Tente outra vez!

Humrum!...

Tente! - Tente! - E não diga que a vitória está perdida se é de batalhas que se vive a vida... Han!

... Tente outra vez!...


- Raulzito

Falar sozinho

É gostoso poder gritar e ouvir a própria voz alta e vibrante.

Meu mundo, meu paraíso, meu Éden trancado pelo lado de fora.

É - Ramon, você - Conheço-o completamente: Eu sou você!

HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Eu escutei isso mocinho. Silêncio! Quieto! Psiu! Ou

Volte aqui! Vem!

... Foi... E vai voltar o traquina.

Aqueles americanos...

A cada nova decepção saio mais filosófico, mais machucado e mais insatisfeito. Se em algum momento me julguei forte ou fraco, julguei mal. Lembro daqueles filmes vivos, daqueles mundos mágicos da infância, lembro de Filebo, lembro daquelas reflexões sobre Kierkegaard, Stendhal, Nietszche... Vejo tudo distante. Sinto emocionalmente, fisicamente, aquela música... The end...

http://www.youtube.com/watch?v=QHFK1yKfiGo

Ao mesmo tempo; e quero lembrar disso; sinto uma pequena e orgulhosa satisfação, alegria. É talvez o eremita contente em si mesmo, a ironia do moribundo, a piada desfacho, o último jargão de sabedoria... E, antes ainda de the end... Um pouco de sound of silence; silêncio e sinfonia...

http://www.youtube.com/watch?v=eZGWQauQOAQ