segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Liberdade agora

Hoje é o dia de ser livre.

SEJA

sábado, 15 de agosto de 2009

Minha musa

Minha musa é uma dríade, uma dríade do cabelo e dos olhos das mais profundas tripas de Erebus. Cor do mais pálido, vestes das mais simples e rústicas.

Minha dríade não tem carvalho, migra nos domínios de Calígena, e sussurra através dos meus ouvidos na noite enquanto a lua ilumina o meu quarto. Ela não é boa, talvez também não seja má, seu encanto é como o encanto de Hécate, não o encanto puro das sereias, mas bruto quase ameaçador. Ela não é tolerante, e despreza fraqueza, ironiza tolice e odeia baixeza. Altiva.

Minha Dríade encanta, na noite, sussurrando os mistérios do Caos, de sua ruína, de seu apogeu, e de antes.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Enfim o Carnaval

O Carnaval é certamente (provavelmente) a maior de todas as inúmeras hipocrisias brasileiras. O Carnaval é turismo sexual, vandalismo e principalmente um celeira para a aquisição de doenças sexualmente transmissíveis. O Carnaval é repugnante? Chamá-lo assim é ofender a repugnância, ele é algo de mais pobre, asqueiro e nojento. Ninguém pula mais que a Sífilis e com certeza quem mais brinca é a aids.



Por que ele existe? Para ser o grande bordel do mundo por alguns dias. Naturalmente, na visão de muitos brasileiros, todos esses fatores são pequenos se comparados aos poucos momentos de euforia alcóolatra que o bondoso Carnaval dará, também não podemos esquecer os orgasmos baratos e as traições. Ele não é uma exclusividade nacional, deduso que todos os outros são igualmente deploráveis; alguns mais imcubados, outros mais falsos, todos detestáveis.



Os foliões? Aquela gente religiosa e moralista, o tipo que satiriza um homossexual sem qualquer sentido de culpa e fala mal das meninas libidinosas com verdadeiro prazer? NÃO, no Carnaval são todos um mesmo lixo. Todos imorais, todos ridículos, todos animalescos. Primeiro o vômito e depois as cinzas, Tempos passam e as máscaras voltam, todos esperam o próximo ano.







E assim continuamos...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Uraeus

Marcas nas tábuas,
o beduíno e a íbis,
o disco e o cetro.

No berço das águas o menino que cala,
ao seu redor os crododilos, seus servos.
Na boca o segredo, ele é - ele será.

O rosto é ocultado pelo véu,
e aquele que manifesta-se no vento que move,
nas profundezas o cão que tudo destrói habita.

No chão é o marido, no céu é a esposa.
O Ka, o Ré, o Ba, que circundam e pertencem
São da Regra, que deifica e condena.

Dançam e cantam àqueles,
homens deuses,
deuses homens.

mortais imortais,
imortais mortais,
feitos um.

Então as máscaras são retiradas,
os odores cessam,
o silêncio domina,

e o Nilo corre

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O Oráculo de Éfira

I - O templo entre Aqueronte e Cocito

Quem nunca observou avidamente um acidente? Quem nunca praguejou com genuína fúria? Quem nunca riu de uma dolorosa trapalhada alheia?

Em todas essas ocasiões manifestamos partes de nossa alma que normalmente segredamos. Em uma visão mais atual, todas essas ações superficialmente indesejadas estão ligadas ao ego inferior ou a Sombra (como Jung definiria). A Sombra é a oculta animalidade, é o conjunto de nossas mais desequilibradas emoções, ela é o campo metafísico dos sentimentos rejeitados pela rotina da consciência. Por que existe a Sombra? Ironicamente para nossa proteção. Ela é o alerta contra os infortúnios (Aqueronte), o depósito de nossas lamentações (Cocito), a jaula de nossa raiva (Flegetonte), o lar dos tormentos (Erídano) e o oculto da alma (Lete).

Alguém atento questiona: "Por que SUPERCIALMENTE indesejadas?"

Porque, na verdade, como qualquer outra coisa, a Sombra busca sua perpétua subsistência (sua inércia). Ela reclama por ação quando permanecemos muito tempo em estado de calmaria, incita quando estamos furiosos, ela determina quando devemos fugir ou "perder o jogo de cintura"; Muito além, como um cão selvagem, ela consome o seu dono quando não é alimentada ou domada.

Como domá-la? Você já sabe. Quando ridicularizamos alguém, quando batemos com fúria na mesa do escritório, quando berramos um palavrão, e - mais louvável - quando admiramos um arrepiante trabalho artístico de terror.



II - Sacerdotes de Perséfone


Por que alguém dedicaria a sua veia artística para um trabalho tão penoso quanto a arte das sombras?

Principalmente pelos infortúnios da vida, pela predileção por assuntos mórbidos, ou em uma linguagem mais poética pela atração por coisas obscuras. Geralmente todos esses movimentos estão conectados e, não raro, a escolha pelo terror é pouco consciente e muito instintiva. A facilidade e o fascínio de alguns está ligado a envergadura de sua Sombra.

Escrever Terror é penoso, como já dito, por uma série de fatores: O reconhecimento é praticamente nulo (embora crescente em nosso período decadente), o trabalho artístico é seguramente o mais difícil, o público realmente dedicado é pequeno e a própria criação exige bastante disposição mental. Para escrever Terror é preciso dispor de uma perseverança tão grande quanto a imortalidade dos vampiros.

O melhor para o escritor é deixar os seus textos sombrios como "alternativos". Trabalhar temas mais gerais e levar em conta as tendências de momentos. É uma das muitos verdades ridículas do mundo.



III - Os corredores sombrios

Nem só de sustos vive a obra de um escritor sombrio. O que é sombrio em uma época pode não ser em alguma outra, a única coisa que une todos os homens é que, invariavelmente, suas sombras estão bem atrás deles. Em todas as épocas existe algum assunto severo e, para o autor sombrio, o assunto severo é o seu deleite. Um dos pontos negativos do terror é também um dos seus pontos positivos: São poucos os concorrentes.

Em algumas épocas são os monstros as criaturas terríveis, em outras os deuses negros e também em outras a própria maldade humana. Em todos essas casos algo está presente: A Sombra.


Em cada caso é afetada de uma forma, embora o eixo seja sempre o mesmo (os rios do Hades).

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Os malditos


Heráclito de Éfeso, Francis Bacon, Marquês de Sade, Gregório Guerra, Edgar Allan Poe, Charles-Pierre Baudelaire, Jean Genet, Moe Szyslak...

Grandes pensadores para alguns, de opiniões altamente questionáveis, mentes diversificadas e terríveis. Por que é possível, se é possível, classificá-los de forma tão nefanda? Podemos Considerá-los malditos ou malignos?

Claro que sim. É preciso entender o tal Mal para compreender as razões. De forma bem simples, podemos seguramente afirmar que o Mal não existe. Dentro da visão helenista da realidade, o Mal é associado ao Ódio, tal princípio pode ser entendido, levando em conta o pensamento antigo, como desarmonia, desordem e ou Caos. O Mal é somente uma idéia e serve como manivela mental para a maioria dos homens, o Mal é a explicação geral de tudo que gera transtorno. Outras ferramentas seriam a busca pela felicidade, pelo conhecimento, o Tempo, o otimismo... Manivelas mentais. O Mal é o oposto indesejado.

Indesejados eram os pensamentos dos chamados malignos. Vivendo em épocas que por diferentes motivos eram avessas aos argumentos deles. Hoje, alguns ainda são vistos com espanto, como o próprio Donatien e seu Sadismo. A verdade é que o mais fascinante para alguns, horror para outros, não são as idéias dos malignos, mas a maneira como elas acabam afetando o ponto de vista das pessoas. São argumentações que, mesmo que completamente amorais, geram dúvidas na mente. Quem nunca parou para questionar os próprios valores? Os malignos questionam e não apenas na própria mente, eles gritam bem alto para todos.

Querem balburdia e a confusão de valores. Gostam, mesmo que não confessado, das críticas negativas, dos desparates, dos xingamentos... Gostam demais, não tenha dúvida. Se o futuro for uma Roma perpétua feita de Sodomas e Gomorras, os malditos ainda estarão lá, mas falarão de Amor, bondade, ordem, ética...

E assim caminha a ironia.



FOTO: Loki

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Batalhas de aforismos

Grandes homens, grandes idéias, pensamentos opostos...

1)

"Hegel, um charlatão banal, vácuo, repugnante e ignorante, que mistura insanidade e disparates com uma arrogância sem precedentes, o que os seus partidários transmitem como se tratasse de sabedoria imortal tida como verdade por idiotas... condenou à ruína toda uma geração de intelectuais"
Arthur Schopenhauer

X

"...um estilo (Hegel) apropriadamente elevado e intimidante, incompreensível e no entanto sugestivo. O equivalente verbal de trompetes"
Ernest Gellner


2)

"Olho por olho, dente por dente"
"Hamurabi"

X

"De olho por olho e dente por dente o mundo acabará cego e sem dentes"
Gandhi


3)

"Todas as esquisitices das pessoas que vivem na solidão pareciam tomar conta do seu espírito. A menor coisa fora do lugar a irritava"

Guy de Maupassant

X

"A solidão é a mãe da sabedoria"
Laurence Sterne


4)

"É mais fácil suportar a morte sem pensar nela do que suportar o pensamento da morte sem morrer"

Blaise Pascal

X

"É sem qualquer terror que eu vejo a desunião das moléculas da minha existência"
Marquês de Sade

X

"Existem três tipos de pessoas: as que se preocupam até a morte, as que trabalham até morrer e as que se aborrecem até a morte"
Winston Churchill


5)

"Porque a vida passou antes que pudéssemos viver"

Victor Hugo

X

"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe"
Oscar Wilde


6)
"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade"
Carlos Drummond de Andrade

X

"A melhor maneira de ser feliz é contribuir para a felicidade dos outros"
Baden Powell

X

"Não somos nada, sem felicidade"
François Chateaubriand

X

"Nós não somos felizes, e a felicidade não existe; apenas podemos desejá-la"
Anton Tchékhov

X

"A felicidade solitária não é felicidade"
Boris Pasternak

X

"A felicidade é para quem se basta a si próprio"
Aristóteles

X

"A felicidade está fora da felicidade"
Fernando Pessoa

X

"Descrever a felicidade é diminuí-la"
Stendhal